O infinito não é tempo e sim espaço. Algo difícil de compreender, devo concordar, entretanto não é tão abstrato assim. O infinito pode ser impossível de mensurar, mas não é tão complicado para entender. Talvez, o ser humano esteja indo pelo caminho errado. O infinito não pode ser o tempo, afinal, aprendi que ele é imóvel, é um circulo... o infinito é... é espaço a ser percorrido. Um espaço sem fim.
- É inútil medir o que é imensurável, meu jovem – disse Caos a mim.
Eu ainda tonto por receber tantas informações que mexeram com o meu mundo, com a minha consciência que não sabia nem o que dizer. Só queria voltar e esquecer tudo. Viver sem saber é muito mais fácil. A ignorância, às vezes, pode ser vista como um escudo, como um campo de força que nos protege da loucura que é entender a existência. Aliás, Caos, ainda não me falou o que é a existência. Tenho a leve impressão de que ele quer que eu entenda a partir de tudo o que venho aprendendo, mas ainda não tenho uma conclusão exata.
- Caos, você falou sobre o infinito, mas não entendi muito. Aliás, me dê um bom exemplo. Algo que eu compreenda.
- Ok. Vamos para a sua casa.
Pensei que mudaríamos de forma novamente. Ainda não tinha me acostumado a voltar à minha forma material.
- Se acalme. Você não será preso novamente em seu corpo. Voltaremos à Terra em forma de energia.
Logo a luz branca se intensificou e do nada estávamos vendo um elétron!
*****
- Um elétron?! – Disse eu.
- Sim. O átomo possui elétrons, certo?
- Sim.
- E um elétron está dentro do átomo. O átomo, por sua vez, está dentro de nossas células (exemplificando para você me entender, jovem), as nossas células constituem os tecidos e órgãos dos seres humanos. Os órgãos e os tecidos e as células constituem o ser humano. O ser humano precisa de uma casa, que está numa rua, bairro, cidade, estado, região, país, continente, planeta, sistema solar, galáxia...
- Para! Eu não estou lhe entendendo.
- O que eu quero dizer é que o universo é limitado.
- Hã? Como limitado? Mas ele não é infinito?
- O universo? Não. Ele é finito.
- Não entendo.
- Esse universo, cheio de planetas e constelações tem um final. Ele não é infinito. O infinito é a cadeia de sucessões de novos paradigmas. Pense num universo como um biscoito. Ele precisa estar dentro de um pote. Esse pote pode ter vários universos, vários biscoitos. Esse lugar não tem nome, eu chamo de pote ou vasilhame. Todo vasilhame precisa de uma estante, que contém vários vasilhames, e essa estante precisa de uma parede que precisa de uma casa e assim infinitamente... Por isso o infinito é espacial.
- Minha nossa! Foi por isso então que você disse para não estarmos na forma material. Nunca compreenderia isso...
A luz se fez de novo e estávamos mais uma vez no limbo.
*****
O que é real? Não sabia a resposta porque tudo o que vi não fazia sentido, embora fosse a realidade. Nem em meus maiores devaneios poderia imaginar algo assim. Sinto como se o meu chão fosse areia movediça e que me sugasse para lugar nenhum. Inferno, céu, mundo mortal... nada disso é verdade. A única verdade que pude entender é que somos todos um só ser, caótico, sem direção porque não temos como nos mover. Somos uno, por isso podermos nos comunicar, às vezes por pensamento. Sou eu, sou Caos, sou você.
- Bem, acho que depois disso, você deverá entender o que é a existência e o que é existir. Seja como for, seja você mesmo – disse Caos.
“Seja como for, seja você mesmo.” Ser ele mesmo é ser eu. Ele brincou comigo. Sou eu, sou ele. Somos tudo. Aliás, sou tudo. Não existe os pronomes, Nós, vós, tu, eles, ele, ela... Só existe EU. A minha viagem foi para dentro e fora de mim, ou seja, não sai do lugar. Sou apenas um detalhe do todo e ainda assim eu sou o todo.
A luz se fez novamente e tudo ficou claro para mim.
*****
No fim, descobri que tudo o que vi e aprendi, vivi dentro de mim mesmo. Levantei do chão da rua em que eu tinha levado o tombo. O menino não estava mais rindo. Um médico me levantara e me perguntara se eu estava bem. Disse que me sentia bem... embora não devesse sentir-me.
Fim da parte 3 de 3


3 comentários
Parabéns pelo conto! foi uma conversa e tanto com o Sr Caos!
Meu Deus, teve hora que pensei que ele iria "caosar" em sua cabeça, rsss...
Mas ótimo conto, poderia escrever um livro se vendesse hoje em dia né!
Espero pra ti sucesso como escritor e comunicador.
Otimo fim de semana!
Posted on 12 de Novembro de 2009 22:40
Sucesso
Abraço
Posted on 12 de Novembro de 2009 22:41
Bom, é isso o que acontece quando se lê muito Nietzche e suas teorias sobre o eterno retorno! hehehehe!
Não, não estou falando de loucura ou caos literário ( uma boa ideia, quem sabe?), estou falando de argumentação e de como conseguiu simplificar certas ideias para torná-las mais acessíveis ao público em geral.
Aí dá para refletir melhor. Talvez porque o próprio pensamento não é finito, apesar de eu acreditar que em muitas mentes ele sequer nasceu! rs
"Be yourself". Como isso é difícil hoje em dia, repletos de máscaras que temos e munidos de valores finitos! Estamos trocando o infinito pelo finito e não estamos considerando as reais dimensões dessa troca.
É só olhar as ruas.
Um abraço, Friedrich Barreto! =D
Posted on 13 de Novembro de 2009 19:38