Ouço muita música antiga. Adoro Beatles, Legião Urbana, Bob
Dylan entre outras bandas clássicas ou não. Gosto de ouvir através dos versos
dessa galera o cenário no qual viviam. Ouço “Há tempos” que as pessoas vêm
reclamando do “Tempo Perdido” de outras pessoas que preferem ouvir bandas mais
recentes. Essas pessoas caem em um problema estranho é a nostalgia em seu pior
caráter. A expressão artística não pode ser hierarquizada, não existe isto é
melhor que aquilo, existe sim a qualidade técnica ou o simples gosto singular
de alguém por algo. Os tempos mudaram, a sociedade mudou, os valores continuam sendo massacrados como sempre foram, essa é a única coisa que permanece.
Não duvido nada que Renato Russo hoje escrevesse canções com
nomes como: Globalização doentia, Geração Facebook, Y é cromossomo e não geração,
O que eu vou ser quando a luz acabar, Sinto-me só com o meu celular, Esta noite
não tem luar no meu mural, 140 caracteres para o fim do mundo (que inclusive dá
nome a este post). Poderia citar milhões de títulos para músicas da Legião
moderna. Renato estaria junto com Cazuza e Cássia Éller nervosamente no Facebook contra esses pastores e outras coisas bizarras que vemos no meio virtual. Se estivessem adequados ao nosso tempo, estariam cantando diferente. Renato Russo cantaria no seu clássico moderno “Geração Facebook” algo assim:
“Quando nascemos fomos postados
Com fotografias nos murais dos nossos pais
Nos empurraram, compartilhados
Dos U.S.A, de nove às seis
Desde pequenos nós lemos lixo
Da vida alheia no nosso mural
Mas chega dessa porra de vez
Vamos postar citações sem fonte em cima de vocês
Somos filhos da comunicação
Da massa temente à religião
Somos o futuro do cutuque
Geração Facebook!
Depois de vinte anos na escola
Não sei em qual faculdade entrar
Veja minha dificuldade, vou embora
Não sei ler nem soletrar
Vamos fazer disciplinas online de casa
E aí vocês vão ver
Suas crianças achando que são reis
Fazendo piadas de todas as suas leis
Somos filhos da comunicação
Da massa temente à religião
Somos o futuro do cutuque
Geração Facebook!
Geração Facebook!
Geração Facebook!
Geração Facebook!
Geração Facebook!”
Acho que o seu outro sucesso seria “140 caracteres para o
fim do mundo” uma espécie de "Será" moderno.
“A minha frase tá chegando ao fim
Não consigo endereçá-la a você
Não é só no migre.me
Que você vai conseguir encurtar o seu link, é difícil de
entender?
Eu posso estar sozinho
Mas no Twitter eu sei quem sou
Você pode até duvidar
Mas sou seguido por um monte de robô...
Será só insatisfação?
Será que ninguém vai ler?
Será que entro em outra idiota discussão?
Será que vamos conseguir um RT?
Ôô ô ô ô ô ô ô ô ô ...
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
E serão noites inteiras
Brigando sem direção
Ficaremos acordados
Dizendo que partiram o nosso coração
E esse incrível altruísmo
Na verdade é egoísmo que permeia a nossa intenção
Será só insatisfação?
Será que ninguém vai ler?
Será que entro em outra idiota discussão?
Será que vamos conseguir um RT?
Ôô ô ô ô ô ô ô ô ô ...
Twittar para quê?
Se ninguém vai ler
Quem é que vai dar RT?
Será que vamos ter que responder
Aquela chato do @Tomás
Eu ou você?”
Vejo que o mundo muda, as pessoas mudam, e não aceitam a
mudança, mas o que fazer com isso? Precisamos perceber que a nossa realidade é
mutável e que nem os nossos heróis da infância são tão legais para as gerações
seguintes quanto eram para “nosotros”.










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