sexta-feira, 17 de maio de 2013

140 caracteres para o fim do mundo




Ouço muita música antiga. Adoro Beatles, Legião Urbana, Bob Dylan entre outras bandas clássicas ou não. Gosto de ouvir através dos versos dessa galera o cenário no qual viviam. Ouço “Há tempos” que as pessoas vêm reclamando do “Tempo Perdido” de outras pessoas que preferem ouvir bandas mais recentes. Essas pessoas caem em um problema estranho é a nostalgia em seu pior caráter. A expressão artística não pode ser hierarquizada, não existe isto é melhor que aquilo, existe sim a qualidade técnica ou o simples gosto singular de alguém por algo. Os tempos mudaram, a sociedade mudou, os valores continuam sendo massacrados como sempre foram, essa é a única coisa que permanece.

Não duvido nada que Renato Russo hoje escrevesse canções com nomes como: Globalização doentia, Geração Facebook, Y é cromossomo e não geração, O que eu vou ser quando a luz acabar, Sinto-me só com o meu celular, Esta noite não tem luar no meu mural, 140 caracteres para o fim do mundo (que inclusive dá nome a este post). Poderia citar milhões de títulos para músicas da Legião moderna. Renato estaria junto com Cazuza e Cássia Éller nervosamente no Facebook contra esses pastores e outras coisas bizarras que vemos no meio virtual. Se estivessem adequados ao nosso tempo, estariam cantando diferente. Renato Russo cantaria no seu clássico moderno “Geração Facebook” algo assim:

“Quando nascemos fomos postados
Com fotografias nos murais dos nossos pais
Nos empurraram, compartilhados
Dos U.S.A, de nove às seis

Desde pequenos nós lemos lixo
Da vida alheia no nosso mural
Mas chega dessa porra de vez
Vamos postar citações sem fonte em cima de vocês

Somos filhos da comunicação
Da massa temente à religião
Somos o futuro do cutuque
Geração Facebook!

Depois de vinte anos na escola
Não sei em qual faculdade entrar
Veja minha dificuldade, vou embora
Não sei ler nem soletrar

Vamos fazer disciplinas online de casa
E aí vocês vão ver
Suas crianças achando que são reis
Fazendo piadas de todas as suas leis

Somos filhos da comunicação
Da massa temente à religião
Somos o futuro do cutuque
Geração Facebook!
Geração Facebook!
Geração Facebook!
Geração Facebook!
Geração Facebook!”

Acho que o seu outro sucesso seria “140 caracteres para o fim do mundo” uma espécie de "Será" moderno.

“A minha frase tá chegando ao fim
Não consigo endereçá-la a você
Não é só no migre.me
Que você vai conseguir encurtar o seu link, é difícil de entender?
Eu posso estar sozinho
Mas no Twitter eu sei quem sou
Você pode até duvidar
Mas sou seguido por um monte de robô...

Será só insatisfação?
Será que ninguém vai ler?
Será que entro em outra idiota discussão?
Será que vamos conseguir um RT?
Ôô ô ô ô ô ô ô ô ô ...

Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
E serão noites inteiras
Brigando sem direção
Ficaremos acordados
Dizendo que partiram o nosso coração
E esse incrível altruísmo
Na verdade é egoísmo que permeia a nossa intenção

Será só insatisfação?
Será que ninguém vai ler?
Será que entro em outra idiota discussão?
Será que vamos conseguir um RT?
Ôô ô ô ô ô ô ô ô ô ...

Twittar para quê?
Se ninguém vai ler
Quem é que vai dar RT?
Será que vamos ter que responder
Aquela chato do @Tomás
Eu ou você?”

Vejo que o mundo muda, as pessoas mudam, e não aceitam a mudança, mas o que fazer com isso? Precisamos perceber que a nossa realidade é mutável e que nem os nossos heróis da infância são tão legais para as gerações seguintes quanto eram para “nosotros”.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Os dois lados das inovações tecnológicas


O título deste post parece mais um daqueles discursos sobre como o ser humano molda sua realidade com a tecnologia e como ela, por sua vez, o molda também. No entanto pode-se constatar a partir de poucos cliques na internet, como a tecnologia realmente pode ser nociva de acordo com o seu uso, ou melhor, mau uso. O caso em especial que irei tratar aqui é sobre a impressora 3D. Parece uma grande revolução, e é, mas e quando essa mesma obra que possibilita “recriar” órgãos e partes do corpo para pessoas com deficiência pode também ser uma forma barata de se enviar armas de fogo, que por mais simples que pareçam, ainda podem causar a morte de alguém?

Os costumes e hábitos são “atualizados” para situações que antes do advento de certas tecnologias não se era pensado. Como pensar em carregar uma biblioteca nas mãos antes dos tablets e e-book readers? Uma boa invenção, não é? Afinal, incentiva a leitura dos mais jovens que estão conectados com as inovações tecnológicas e é um prato cheio para quem tem o hábito de ler. No entanto, há pessoas que têm o costume de ler no papel, para sentir o cheiro do livro, a textura das folhas e da capa. A questão é que a tecnologia auxiliou o ser humano a disseminar a informação e a cultura, criando a verdadeira aldeia global.

Quando estava no Facebook, o meu chefe postou um assunto interessante, que era em essência o eixo deste texto: quando a tecnologia pode ser boa ou nociva ao ser humano? Ele postou em seu Facebook através do celular, um pequeno texto pertinente sobre a impressora 3D, que está custando entre R$ 3 mil a R$ 7 mil (preços de diversas marcas exibidas no Mercado Livre). Um investimento relativamente pequeno para algo tão impressionante. Essa impressora é capaz de imprimir qualquer coisa com um tipo de plástico específico. No post ao qual me referi, o meu chefe, mostrou um belo vídeo do Richard Van As, um carpinteiro de Johannesburgo na África do Sul, que perdeu quatro dedos e resolveu construí-los e com as parcerias certas, pode utilizar a impressora para imprimir os dedos. Vale muito a pena “perder” 10 minutinhos para assistir o vídeo, como ele me disse. Isso mostra que uma boa invenção pode se utilizar de um artefato tecnológico para melhorar a qualidade de vida das pessoas.


Por outro lado, há quem não queira simplesmente enviar próteses para crianças ou outras ações louváveis e altruístas. Há quem tem intenção de enviar armas de fogo, como falei no início deste post. Segundo a matéria no jornal O Globo, um grupo tem interesse em imprimir armas em casa sob o argumento de haver necessidade de haver proteção doméstica. Pois bem, mesmo nos EUA, onde há a cultura da arma em casa, que é legitimada pela “defesa do cidadão”, há a necessidade de haver a licença de porte legal de armas de fogo. Como controlar que as pessoas possam imprimir seus próprios arsenais em casa? Quem vai checar isso? Como o Estado poderá proibir esta prática? Se ela é de plástico, como seria fácil burlar os detectores de metal, não é?

“O universitário americano de 25 anos Cody Wilson, criador do grupo Defense Distributed, promete disponibilizar na internet, na próxima semana, o primeiro projeto de arma de fogo totalmente imprimível em 3D. A polêmica ideia surgiu há quase um ano, quando a organização sem fins lucrativos foi fundada. Até então, o grupo só havia conseguido produzir cartuchos e outras peças para armas tradicionais, além de protótipos que não suportavam disparar mais de seis tiros. Nesta sexta-feira, no entanto, Wilson, estudante de Direito da Universidade do Texas, revelou à revista “Forbes” que planeja publicar na internet um projeto de pistola de plástico nos próximos dias.”

Este é o início do texto de O Globo, que em seguida diz o nome da já batizada arma. O nome é “Liberator” e é composta por 16 peças de plástico e é capaz de disparar cartuchos convencionais de pistola. Muitas autoridades podem proibir este tipo de conduta e já exigem a não circulação deste arquivo na internet. O jovem, criador da arma, pretende utilizar um pedaço de metal para que ela possa ser detectada. Algo que, não deve acontecer, pois é muito simples de ser burlado por qualquer pessoa.

Isso mostra que há dois lados que sempre irão existir em qualquer assunto. A tecnologia pode ser boa ou não. Um lápis, que é uma ferramenta tecnológica pode ser usado para escrever uma poesia ou para enfiar no olho de alguém. A utilização da tecnologia quem define é o ser humano. É ele que a cria e é recriado por ela também. Um ato cíclico sem fim. Uma impressora 3D pode gerar próteses para pessoas necessitadas a baixo custo, como também pode ser um dos elementos no processo da morte de alguém, como ferramenta para criar a arma que pode levar alguém à morte.

Por Renan Barreto

Texto publicado no site: Blogsdaucam.com.br

terça-feira, 7 de maio de 2013

Eu me produzo, me invento e me consumo.


Eu me produzo, me invento e me consumo. Esqueço das demandas externas e do que vem de fora porque me basto com o que crio e espero até, com ansiedade, a nova criação. É um turbilhão de coisas, de ideias, de novas sensações que experimento como insumo para o desenvolver de novos universos que explodem e se chocam dentro de mim. Acontece tudo tão rápido, que quando percebo, parece que já estava ali o tempo todo. As falas, as narrativas, as poesias parecem que estão no ar e eu as pego emprestado e dou a minha assinatura só para constar, para dizer que peguei primeiro e ninguém tasca. Não quero a vida das pessoas que querem ser os melhores, baseando-se nos melhores, seguindo caminhos já trilhados, venerando exemplos. Assim ninguém vai ser melhor em nada, vai ser sempre sombra daquilo que já foi feito, do que um dia foi original. Quero mais é criar algo diferente para ser de fato o melhor naquilo, quero fazer nascer e não amadurecer processos.


Faço da vida causa e consequência do meu trabalho. Uso minhas sensações para resolver meus problemas, lidando com a inspiração, que às vezes me bloqueia e me faz levar 3 anos para terminar um livro. Não sei se foram os outros 10 que escrevi nesse meio tempo, mas o que eu quero, não consigo terminar. Por isso, fico feliz e com mais gosto por ter encontrado o meu amor naquele sábado de agosto. O dia estava lindo, mas ela estava mais. Tão radiante que o céu de azul ficou vermelho, por instantes, de vergonha. Era muita beleza para uma mulher só. A minha dama loira, com cara de princesa e alma de moleque é a dona das minhas mais íntimas inspirações e superações.

Sei que todas as alegorias desconexas que possa escrever não significam muito para quem lê, talvez, apenas para mim. Queria transformar os choques no meu cérebro em palavras, em sentidos, em dominações de mim, do “eu” que não encontro, a representação de mim perdida por aí... Pelo menos, sei que me achei no dia em que encontrei a minha linda mulher, que merecia uma música como “She” somente para ela, afinal quem é Julia roberts? Pode me perguntar qualquer coisa que eu me lembro. Era fim de manhã, ela estava sentada num banco pensando se a roupa que estava era adequada para um passeio em Paquetá. Sim, Paquetá, por que não? Pode me perguntar o gosto das suas cores que sei de cor.

Quero terminar este texto sensorial, como quero chamá-lo, para agradecer a você papel em branco por mais um bom dia de conversas, de compreensão e por ser meu fiel escudeiro, meu Sancho Pança, meu querido amigo. Penso até que você me acompanha por tanto tempo que, somos quase um só. Você sabe tudo sobre mim e é o único que consegue me fazer ser quem eu realmente sou.

Obrigado ao meu amor, às explosões de constelações metafísicas na minha mente e a, você, folha em branco, que é de onde nasce toda minha prosa e poesia.

terça-feira, 19 de março de 2013

O pombo e o executivo




Qual é a diferença entre um pombo e um executivo? Sinceramente... Nenhuma. Não há nenhuma diferença entre esse animal voador com um executivo padrão. Ambos são animais urbanos, com tendências suicidas e muito problemáticos. Vivem voando por aí, não ficam muito tempo num lugar, são rejeitados na maioria das vezes e vivem uma triste sina de um mundo cinza e de pouca alegria. O pombo pode viver para comer, mas e o homem, ele faz o quê? Ele simplesmente torna-se parte de uma engrenagem tórrida e triste, que o faz abdicar da sua própria felicidade em função de um sistema que não se importa com ele. Este ser é apenas mais um. Ele é descartável, necessário por momentos apenas. Há outros que querem sua alma e ele a vende em troca de ternos que o garante distinção social, mas ao mesmo tempo, o garante distância das pessoas queridas.

Até onde podemos ir para vivermos os nossos sonhos? E que sonhos são esses? Estão dentro de algum paradigma? Estão os nossos sonhos aprisionados dentro do nosso espectro de conhecimento? Mas não seriam os sonhos a nossa forma de pensarmos sobre o que não existe, sobre o que ainda pode vir a ser? Os sonhos podem estar delimitados? Os sonhos não passam de referências das nossas próprias e, às vezes, fracassadas tentativas de felicidade? O que é realmente sonhar, então? Espero que possa ser um exercício que nos garanta liberdade para termos espaço para ser quem somos realmente.

A realidade não pode ser tão obscura quanto a asa de um pombo e as lágrimas de um solitário. Mas e se o mundo for isso mesmo? For essa enorme bola de distúrbios e sonhos despedaçados? E se as pessoas forem mesmo tristes e essa tristeza não for patológica? E se ela for o normal? Se a tristeza fosse somente o que houvesse, então ela não poderia existir, porque não existiria contraponto, portanto não haveria o que poderia caracterizar felicidade. E se não há felicidade, não existe tristeza... O mundo seria melhor se todos fossem esse tipo de executivo? Do tipo que precisa receber uma cofrinho cheio de moedas do filho de oito anos para que ele possa “vender” seu dia para ele e, então, possa passar mais tempo com a criança? Sinceramente, não sei em que mundo gostaria de viver.

Vamos deixar de ser tudo aquilo que nos incomoda. Vamos deixar de pensar no que não presta. Vamos viver mais e fugir da dor, procurando mais amor, evitando ser quem não somos para que possamos viver como nós mesmos, pois ser nós mesmos é a única coisa que podemos fazer. Grilhões invisíveis também podem ser quebrados. Os executivos em questão ainda ostentam grilhões como distinção social e os vendem como ternos de grife. É uma ilusão tão grande. Uma violência contra si.

Os pombos, por sua vez, voam. Estão livres das amarras, mas ainda assim são animais urbanos, cinzas e sinônimo de tristeza... Assim como os executivos.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Niteroiense lança 4 livros: formato digital é a aposta




O jornalista Renan Barreto acaba de lançar quatro novos livros de forma independente
em formato digital, São publicações distintas entre si: Versos de um mundo qualquer (poesia), Lost memories of old days (poesia em inglês), Brasilstation Volume I (coletânea) e “Além do Labirintho (suspense). Cada livro custa R$12,06 e pode ser comprado pelo link dos seu respectivo site. E para que o leitor que queria ler “Além do Labirintho” e sinta que é necessário ler o livro anterior, o autor disponibilizou no endereço “alemdolabirintho.blogspot.com” um link para baixar a primeira incursão da série gratuitamente


VERSOS DE UM MUNDO QUALQUER: Este livro é uma coletânea de poesias com diversos temas. São textos de uma década inteira de escrita e dedicação à arte. É uma história de dez anos de poesia. São mais de cem textos com inspirações que vão desde Pablo Neruda a Fernando Pessoa.

Trecho:

 Mesmo se vier como um beija-flor
Mesmo se vier sem flor ou sem beijo
Desde que seja um recomeço
Daquilo que não passou
Estarei aqui

Mesmo se vier da forma como for
Da forma de uma flor
Mesmo que uma pétala seja lágrima
Ela é apenas água que rolou
E águas passadas são só dias ruins

(BARRETO, Renan. “Meu beija-flor”, trecho do livro Versos de um mundo qualquer)

Endereço: versosdeummundoqualquer.blogspot.com


LOST MEMORIES OF OLD DAYS: Este livro trata-se de uma compilação com as melhores poesias em inglês que já produzi. São cerca de cem textos com reflexões profundas sobre a vida e como o ser humano lida com seus problemas. Não é um livro de autoajuda, é uma obra voltada para reflexão com pinceladas das memórias do próprio autor que investiu uma década da sua vida produzindo este material. As inspirações são vindas de autores clássicos como Edgar Allan Poe, passando por Dostoiévski e chegando ao contemporâneo Neil Gaiman.


Trecho:

 The wind whispered cold words
And I was trembling thinking of the worst
I saw a spirit walking by
Murmuring in his bed of lies
No matter what path I would take
In the end I’d be in the lost lake

The breeze made me scars so deep
And the lake was now a black sea
The reflecting moon seems a gate
To the hottest circle of hell
Where lies only the damned and the wasted
Falling forever in the never ending well

The darkness blinded my eyes
And left it to loneliness
Alone I heard her weak voice while she dies
A sweet voice of tenderness
There she goes in the lake
My hand was not the one she should take

Now the noise is gone
And the body seems peaceful and calm
Maybe my mind is filled with thorns
When I read the last psalm
I love her, but it has gone to waste
Now she belongs to the lake

(BARRETO, Renan. “The Lost Lake”, trecho do livro “Lost memories of old days”)

Endereço: lostmemoriesofolddays.blogspot.com



BRASILSTATION VOLUME I: Este livro é uma coletânea com os melhores textos do blog BRASILSTATION. Em 2009 foi eleito o melhor blog pessoal de games do Brasil, recebendo o prêmio Top Blog. O espaço virtual possui 5 anos e ganhou além desse prêmio, o selo da Agência Vitamina Publicitária, como um dos melhores blogs de tecnologias do Brasil, principalmente pela parte de relacionamento com o público. O blog possui entrevistas com renomadas personalidades do mundo do entretenimento digital do Brasil e do mundo, tornando-se referência para diversos sites do país, incluindo citação no programa MOD MTV, no jornal O Fluminense e foi também indicação de qualidade no jornal Meia Hora. Em 2012 tornou-se programa de TV, veiculado todo domingo às 13h com mais duas reprises durante a semana, num canal de TV a cabo.


Trecho:


“No final do jogo anterior, Ezio deixou o então Papa, Rodrigo Borgia escapar. Não o matou e pagou o preço da retaliação. Ao voltar a Roma, ele se vê numa fascinante história que, assim como a estrutura do próprio jogo, evoluiu de forma perfeita. É interessante ver como Ezio está mais maduro e protege ainda mais sua família e amigos. A relação dele com a irmã, ao invés de uma relação de proteção, torna-se de cooperação. Algo que surpreende quem jogou AC2.”

(BARRETO, Renan. “Resenha de Assassin’s Creed: Brotherhood”, trecho do livro “Brasilstation Volume I”)

Endereço: brasilstationvolume1.blogspot.com


ALÉM DO LABIRINTHO: Esta obra é continuação direta do romance “Projeto Labirintho”, lançado em 2011. A história parte de onde o livro anterior parou. Após a destruição da vila de Frank e do seu sonho deturpado de uma sociedade perfeita, o leitor continuará a vivenciar um enredo intricado, repleto de flashbacks e novos personagens que irão compor o restante da mitologia. O envolvente enredo traz a tona questões sobre a liberdade, confiança e o bem universal. Para quem gostou do primeiro livro da série, não irá se decepcionar com a continuação, que trará de volta personagens queridos como Frank, Harry, Igor, Katherine, Ricardo e estreantes. Nesse novo momento, há novas intrigas, descobertas, um grupo de biólogos, médicos nazistas, Amazônia, grupos guerrilheiros, o fracasso das pessoas em lidar com seus problemas e uma homenagem a um famoso cineasta brasileiro. É definitivamente uma história que vai além do que foi proposto na primeira incursão da série.


Trechos:


"E foram os mortos que disseram que não havia mais lugar no inferno... Os vivos responderam que não tinham para onde ir.”

"E foi assim que ela sorriu pela última vez. Dizia me amar com uma 38 na boca."

"Me fizeram acreditar no fim da história. Quando percebi que o fim era apenas uma ilusão, me vi perdido, porque a minha cabeça não consegue lidar com algo sem final. Já nasci com a ideia do universo finito. Não fomos programados para entender o 'pra sempre'."

(BARRETO, Renan. Trechos do livro “Além do Labirintho”)

Endereço: alemdolabirintho.blogspot.com


Sobre os livros dos anos anteriores: Em 2010, Renan Barreto lançou “O Menino do Balão”, uma compilação de contos dos mais variados tipos, tendo como referência primordial o autor russo Anton Tchekhov e o britânico Chales Dickens.  Em 2011, o autor lançou “Projeto Labirintho”, seu primeiro Thriller que proporciona a base para uma série de livros que se guiarão pela mesma mitologia.

O menino do balão – http://omeninodobalao.blogspot.com


Sobre o autor: Renan Barreto tem 24 anos, niteroiense, é jornalista formado pela Universidade Candido Mendes, pós graduado - MBA em Marketing Empresarial pela Universidade Federal Fluminense; é escritor e trabalha atualmente no núcleo de marketing multimídia da pró reitoria de coordenação e expansão da Universidade Candido Mendes. Além disso, produz todo o conteúdo do site http://brasilstation.blogspot.com; produz, redige, dirige e apresenta o BRASILSTATION TV.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O requiem do que se foi




Existe coisa mais triste do que ver uma vida desconstruída e perceber que ela se foi? Vê-la como memória do que já não é mais, como uma lembrança borrada do passado? É um dos sentimentos mais tristes que um ser humano pode sentir. Ver que toda aquela felicidade atualmente é sinônimo de um acinzentado inverno…  Aquele primeiro beijo tornou-se ruína, quele abraço demorado tornou-se uma lágrima seca no chão, as cartas de amor juntam poeira, o furgão que fizemos de nossa casa é apenas uma lata velha em exposição num museu chique. Não dá para voltar aos dias de glória quando todo amor degringolou, enforcou-se na intensidade que tinha.

Quantas juras de um futuro belo não fizemos? Quantos “eu te amo?” são necessários para construir uma relação sólida e sem medo de fracassar? Amor deve andar ao lado do medo? Amar deve ser um exercício ou uma necessidade diária? São tantas perguntas que me faço quando vejo cenas como um quarto velho e destroçado pela ira, pela falta de compreensão… Sei que é uma história clichê amores que não dão certo, corações partidos, e minutos de silêncios que tornam-se eternidade. Mas o que fazer para que o porta-retrato sobre o criado mudo não suma, não quebre, não tenha sua bela foto rasgada, dilacerada na mesma proporção que o coração quebrado pelo tempo, pela falta, pela ausência, pelo destino talvez. Grandes amores são assim mesmo. São como montanhas. Nos levam a alturas tão elevadas, que levamos tempo para perceber que caímos  pois no meio do caminho para baixo, ainda achamos que estamos enebriados pelo amor e em êxtase no ar, quando não percebemos que estamos é em queda livre mesmo.

Uma casa vazia é apenas reflexo de um corpo sem alma, que nesse caso é apenas uma anagrama para lama, pois ao desenvolver a síndrome de Atlas, o titã grego condenado por Zeus a segurar o mundo inteiro nas costas, não conseguimos seguir em frente, pois começamos a acreditar que a vida de todos depende de nós. Atlas fora condenado a essa obrigação. Nós sentimos necessidade de vivermos essa condenação como se fosse algo natural. Até um Deus sabia que isso era castigo, por que nós mortais, escolhemos tantas vezes errar no mesmo lugar? Não conseguimos abraçar nem um Jacarandá, imagine o mundo e todas as vidas que há nele?

E assim nossas forças se vão, nossos ombros doem, nossos joelhos começam a não suportar mais o peso, nossos amores começam a perder espaço até que o requiem é ouvido suavemente. Um dia, a música fica mais alta e nós mais perdidos, segurando o mundo, chorando as derrotas, mas nunca largando esse fardo pesado. De repente, tudo de bom na nossa vida fica sendo a nossa “importância”, nossa imagem de forte, quando, enfim, vemos que somos iguais a todos os outros mortais, esse mundo cai, acaba, achata-se em nossas cabeças e tudo para o que vivemos vira um amontoado de ferro retorcido, de papeis picados, letras tristes, janelas trancadas, remédios, quartos escuros e a certeza de que tudo deu errado porque insistimos em seguir em frente com algo que já dera errado antes de começar. Quando se entra em alguma coisa com o requiem de fundo, não há dúvidas de ele ficará apenas mais forte com o tempo, até que seja ouvido o nosso próprio, uma composição nossa para nós mesmos. A canção da nossa despedida.

Fico feliz por ter entendido tudo isso antes da música final. Hoje, posso dizer que danço uma bela valsa e larguei Atlas para encontrar Dionísio, o Deus do vinho e festividades… E mais recentemente do videogame, é claro.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

As flores do mal



As flores do mal são as piores coisas do mundo. São desprovidas de coração como as de plástico e carregam dentro de si todo ódio pelo mundo e por si mesmas que há no universo. São seres desprezíveis que sugam as energias boas dos seres humanos. Podem ter a forma de flor, mas não se alimentam da luz, mas nutrem-se da escuridão dos corações e das mentiras e falhas humanas. O ser humano é muito frágil, mas alguns tornam-se mais fracos ainda quando semeiam as flores do mal em seus jardins. O mau agouro potencializa suas derrotas.

Renato Russo cantou a música que traduz bem o que é uma flor do mal, termo que aprendi com ele na música que dá nome a esta postagem. As flores do mal possuem almas tão densas e negras que não flutuam, perambulam pelo esgoto. Elas mentem descaradamente e criam realidades paralelas, próprias de quem não sabe do que a vida é realmente feita. As flores do mal vivem da energia alheia, são como ervas daninha. A felicidade é vista com desdém. E o clássico sintoma de uma flor dessas é a criação de um mundo criado a partir de uma intensa e complexa rede de mentiras que tornam-se verdades confortantes para aliviá-las da dor e sofrimento de seus próprios fracassos podres e terminantemente óbvios. São flores tadinhas, não podem viver chorando.

Elas nascem das merdas que o ser humano faz e tornam-se perigosas com o tempo. A cada merda, uma nova flor do mal brota. Ela pode levar-lhe ao chão, se tentar, mas é impossível caso haja força dentro do coração e flores de belas pétalas e iluminadas por perto. Ao ver uma flor do mal na casa de alguém, penso em arrancar-lhe todas as pétalas devagarzinho para que ela nunca mais tenha coragem de agir do alto de sua ignorância e machucar as pessoas daquela casa novamente.

As flores do mal são tão ruins que devoram as amizades e laços bons que existem entre as pessoas. São cruéis e dissimuladas. São flores que buscam felicidades falsas, são regadas a lágrimas e sangue. Algumas até tentam fingir, e até conseguem por um tempo, mas no final sempre são descobertas. A aura maligna de um ser desses não merece sequer existir no mesmo solo que outras belas flores.

E esse tipo de flor é ruim, parece um zumbi. Mesmo achando que ela está morta, o gemido de “estou aqui” em “zumbizês” ecoa pelo ambiente. Certifique-se da morte com veemência. Seja como for, mantenha distância desses vegetais criados pelo pior dos espíritos demoníacos. Reza a lenda que as flores do mal foram criadas pelo Demônio para infiltrar o Jardim do Éden. Mas sabe como são as lendas... 

Segue o vídeo e a letra dessa bela canção do Renato Russo:



Eu quis você
E me perdi
Você não viu
E eu não senti
Não acredito nem vou julgar
Você sorriu, ficou e quis me provocar
Quis dar uma volta em todo o mundo
Mas não é bem assim que as coisas são
Seu interesse é só traição
E mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Tua indecência não serve mais
Tão decadente e tanto faz
Quais são as regras? O que ficou?
O seu cinismo essa sedução
Volta pro esgoto baby
Vê se alguém lhe quer
O que ficou é esse modelito da estação passada
Extorsão e drogas demais
Todos já sabem o que você faz
Teu perfume barato, teus truques banais
Você acabou ficando pra trás
Porque mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Volta pro esgoto baby
e vê se alguém lhe quer



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